A Secretaria Executiva do Comitê Gestor da NFS-e publicou a Nota Técnica nº 008/2026, trazendo uma mudança importante que impacta diretamente quem desenvolve ou mantém sistemas fiscais.

E aqui vai o ponto mais crítico: A API oficial de geração do DANFSe será desativada em 01/07/2026

Ou seja, a partir dessa data, o seu sistema passa a ser responsável por gerar o DANFSe.

Se você trabalha com ERP, emissor de NFS-e ou integrações fiscais, isso muda bastante coisa.

O que é o DANFSe e para que ele serve

O DANFSe (Documento Auxiliar da NFS-e) é a versão “visual” da nota fiscal de serviço. Ele não substitui o XML, mas serve para:

  • Apresentar os dados da NFS-e de forma legível
  • Facilitar processos administrativos e financeiros
  • Permitir impressão e consulta por usuários que não acessam o XML

Em resumo: é o documento que o cliente vê.

O que muda com a Nota Técnica 008

Até agora, muitos sistemas utilizavam a API nacional para gerar o DANFSe automaticamente. Com a nova regra:

👉 Essa API será descontinuada
👉 Cada ERP terá que gerar o DANFSe por conta própria

Isso significa que o DANFSe deixa de ser “terceirizado” e passa a ser parte da responsabilidade do software.

O impacto real no software (ERP)

Essa mudança não é só “gerar um PDF”. Ela exige:

  1. Construção de layout próprio

O DANFSe precisa seguir um padrão técnico definido:

  • Papel mínimo A4
  • Impressão em página única
  • Margens entre 0,15 cm e 0,20 cm
  • Uso obrigatório de fontes:
    • Arial (títulos)
    • Microsoft Sans Serif (conteúdo)
  1. Inclusão de QR Code obrigatório
  • O documento precisa ter:QR Code para consulta pública
  • Tamanho mínimo de 1,52 cm x 1,52 cm
  • Link para validação da NFS-e
  1. Estrutura completa de dados (muito mais ampla)

O DANFSe não é simples. Ele precisa refletir praticamente todo o XML.

Entre os blocos obrigatórios estão:

  • Identificação da NFS-e (chave, número, datas)
  • Prestador
  • Tomador
  • Destinatário
  • Intermediário
  • Serviço prestado
  • Tributação municipal (ISSQN)
  • Tributação federal
  • Novos tributos: IBS e CBS
  • Totais da operação
  • Informações complementares

👉 Ou seja: o DANFSe já nasce preparado para a Reforma Tributária.

Regras importantes que passam despercebidas

A NT-008 também define comportamentos importantes:

✔️ Impressão em uma única via

Nada de múltiplas páginas ou formatos alternativos.

✔️ Só pode imprimir o que existe no XML

Você não pode “inventar campos”:

👉 O DANFSe deve refletir exatamente o conteúdo da NFS-e

✔️ Tratamento de homologação

Se a nota for de teste:

👉 Deve aparecer “NFS-e SEM VALIDADE JURÍDICA” no documento

✔️ Cancelamento e substituição

O layout também precisa prever:

Indicação de cancelamento
Indicação de substituição

(impacto direto no layout visual do documento)

🧩 Flexibilidade controlada (mas com limites)

A NT permite algumas adaptações:

Remover blocos quando não se aplicam (ex: intermediário)
Ajustar espaço entre campos
Não usar canhoto (opcional)

Mas atenção:

👉 A estrutura principal e a ordem dos blocos devem ser respeitadas

⏱️ Por que você precisa agir agora

Julho de 2026 parece longe, mas não é.

Esse tipo de mudança envolve:

Modelagem de layout
Ajustes no motor de geração de documentos
Integração com dados fiscais
Testes com diferentes cenários
Homologação

👉 Não é algo que se resolve em cima da hora.

🔮 E ainda vem mais mudança

A própria Nota Técnica já antecipa:

👉 Uma nova NT será publicada para tratar operações com IBS e CBS que antes nem eram documentadas por NFS-e

Ou seja:

📌 O DANFSe ainda vai evoluir
📌 A Reforma Tributária já está sendo incorporada na prática

Acesse a NT 008 NFS-e:

https://www.gov.br/nfse/pt-br/biblioteca/documentacao-tecnica/rtc/nt-008-se-cgnfse-danfse-20260505.pdf

Conclusão

Essa mudança deixa claro um ponto: O ERP precisa assumir de vez o controle da geração fiscal. Não dá mais para depender de APIs externas para algo crítico. E mais importante: O DANFSe passa a ser parte da estratégia de adequação à Reforma Tributária.

Aqui no SACFiscal, a gente não só acompanha a legislação. A gente traduz isso em requisitos claros para o seu software:

  • O que implementar
  • Como modelar
  • Onde adaptar seu ERP
  • E como se preparar para IBS/CBSFonte:  blog sacfiscal

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